quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Novelos e novelos de pensamentos

Estas coisas que nos alteram o estado! Ai ai que energia sinto a percorrer-me o corpo despertando prazer progressivo. Ai ai que os meus olhos teimam a fechar, pestaninha com que eu tou! Rio-me para mim mesma. Mas surgiu-me um pensamento, o pensamento do pensamento que tive há coisa de uma hora, ou duas, não tou com grande percepção do tempo. Os ponteiros a girar é o mesmo que não girar, não lhes dou importânica. Só giram se eu quiser. Manipuladores de merda! Na realidade eu apenas sou porque mo disseram. Somos pessoas feitas para as pessoas. É tudo muito relativo e subjectivo. Como os valores. Eu só sou bonita porque me consideram como tal. E viva o ego alto. Mas na realidade, no meio desta espiral de pensamentos, impressionantemente, há uma conclusão. Chato seria já me ter esquecido dela... pois... é disto que o João não gosta. Memória a curto prazo? Nula. De qualquer forma, não devia ser nada de importante. Epa é esta minha mania de querer ser diferente. Acredito piamente, fielmente para ser menos piroso, que os meus pensamentos são duma inteligência fenomenal. È por isso que os partilho com desconhecidos. Quem é que eu quero enganar?Teriam realmente valor se os mostrasse ao meu circulo social. Ah fraca! Pronto, também gosto de manter o anonimato nalguma coisa, é sempre bom a sensação de preservamos algum mistério. Ninguém gosta de se sentir nú perante o mundo. Literalmente, uns tantos! A caminha chama por mim, sinto já todos os milímetros do meu corpo a ceder à ideia de cama. Calor, conforto, eu deitada, escuro, silêncio, mente a ceder ao sono, corpo que resiste, sonolência a chegar, corpo mole, arrepios na espinha, olhos independentes que fecham. E fica tudo preto.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

sem nexo

É inevitável.
Talvez demasiadas tentativas falhadas "Foram tantas que já lhes perdi a conta". Conformação. Resignação que não luta mais. "O que queres mesmo que eu diga?"
Sopro que não apaga a vela, mero ponto branco na tela preta. Ou ponto preto na tela branca. Vai dar ao mesmo! Contraste, luminosidade, e agora foca bem. Click! o Flash disparou. Fragmento de vida guardadinho num rolo de uma máquina. Ainda sou assim, meia que antiquada.
Deixa-te assim estar ratinho de laboratório, és uma cobaia sabes? Mas que importa? Desde que encontres o queijo no final do labirinto... os meios justificam os fins certo? ratito catita, sabes muito tu!
Oh pronto, afinal estamos apenas a dizer disparates. Tentativas frustradas de escrever com as palavras, jogar com o silêncio. Olha que o relógio está a contar! O coração já não tanto... tanto que bateu que afrouxou! ohhh reanima vá lá! Ergueu-se mais um corpo cadavérico e que friiiiio que ele provoca! Arrepios na espinha! Ui ai que me aconhego ao cobertor azul.
Pensamentos desordenados, bla bla bla, vozinhas irritantes que me gritam aos ouvidos, sorrisos cínicos, falinhas mansas, the beeeest!

Sem mais nada para dizer.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

.

Começo no começo. O início indefinido, temporalmente unavailable. O histórico nada diz como se não quisesse compactuar com a sua verdadeira existência, pergaminho selado atado na pata duma pomba que já levantou asas. Talvez naquele dia, naquela hora, minuto e segundo x. Talvez durante semanas, talvez meses, ou mesmo desde que nasci. Nascimento auto-suficiente, marcado pela ultra consciência. Estou viva e sinto. Não procuro respostas, apenas aceito, porque sei que as respostas já foram respondidas com novas perguntas. Patamares espirituais que adquiro, passinho a passinho, numa escadaria infinitamente finita. Tornei o impossível possível, num rasgo perfurei a realidade impiedosamente e, roubei-lhe o mistério. Segredos ocultos? Invento-os para não me perder nesta monotonia e abolia viciantes. Brinco e re-invento a inocência, pureza absoluta e inigualável, desempenho-a como mais me apraz. Reavivo a criança dentro de mim, sinto-lhe falta, como uma peça perdida dum puzzle. Tornei-me numa estranha minunciosa, de lupa nos olho, procurando pedacinhos para analisar, alimento que sacia a minha mente preversa.

Começo no começo porque o começo nunca terá fim.

domingo, 9 de novembro de 2008

take 1 - acção!

Vejo na janela o reflexo da sala vazia enquanto oiço passos que se encaminham para a porta. Apercebo-me que ironicamente fiquei sozinha na sala. Um sorriso desenha-se nos meus lábios. Começo a imaginar a sequência dos acontecimentos que se seguem. Rio-me face à minha veia de “vidente”. Já me habituei aos novelos de pensamentos que se desenrolam em questões de segundos. Sei que possuo um tanto de inteligência que me permite estabelecer relações de causa-efeito que ainda nem sequer aconteceram, mas que se tornam tão óbvias aos meus olhos, que a sua piada reside em acontecerem de facto, e eu, menina ingénua, subo uma vez mais ao palco para desempenhar o meu papel. Somos todos uns actores no palco da vida. A maior parte limita-se é a improvisar. Eu cá prefiro fingir que improviso.

De casaco vestido, cachecol enrolado ao pescoço, procuro o anfitrião para lhe agradecer a cortesia do jantar tão delicioso e do after que se seguiu na varandinha tão acolhedora. Surpreendentemente encontro-o na dispensa obviamente à procura de algo e estranhamente de luz apagada. Tive que me conter para não desatar naquele preciso momento às gargalhadas, duma forma tenho que admitir compulsiva e extravagante, tão típica de mim! Oh vá lá! Será que ele pensa mesmo que eu sou estúpida? O interruptor da luz está mesmo ao lado da porta! Ahahah veio-me agora uma ideia relâmpago absolutamente fenomenal! Podia ter ligado a luz e desejado boa noite! Adorava ver a reacção dele! Um plano tão bem elaborado desfeito num acto tão simples e tão eficaz! Odeio, no calor do momento, não ter ideias tão simplistas!

Mas continuando o meu relato. Assim que me aproximo da porta da dispensa, olho para ele, bem olhos nos olhos fingindo aquele ar de apreensão de quem não sabe qual o desfecho da noite. E ele com os olhinhos a brilhar, tal e qual cachorrito abandonado ainda me dá aquele sorriso, e digo aquele, porque é o já tão bem conhecido sorriso inocente de “dá-me um beijo miúda, em memória dos bons velhos tempos que achas?”, e eu aproximo-me calmamente, compactuando com a sua fantasia momentânea, para logo a seguir lhe espetar um beijo seco na bochecha e atirar um xau para o ar.

E tudo isto porquê?


Será que cada vez mais a previsibilidade se apresenta nua aos meus olhos? Ou sou eu, que com a minha cabecinha imagino toda uma história, e faço-me acreditar que vai realmente acontecer, quando no fundo, sou eu que faço por que ela aconteça?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Stop

Uma dor de cabeça periférica, latente latente que me faz repousar as pálpebras sobres os globos de vidro que tudo vêem, que tudo espreitam, que nada reflectem se não o tudo da sua alma.
Uma dor de pensar, racionalização constante e imparável, maquinazinha de neurónios entrelaçados, massa cinzenta incongniscivel que trabalha e trabalha e trabalha. Stop! Pára de pensar. Sentir antes de viver, arrancar o melhor da realidade em actos únicos e dolorosos que me vão delicerando aos poucos e poucos. O vidro estilhaça-se em fragmentos múltiplos e caiem sobre o chão um a um como gotas límpidas e transparentes, olhos que choram. Mas nem o chorar acalma a dor. Não é verdadeiro. Já o antecipei nos meus pensamentos. Já senti o corte lancinante no meu coração, um golpe duma faca afiada assim, deixando-me a sangrar por dentro. Hemorragia interna, mas que é do sangue ? Secou... Resta-me apenas a minha mente, as minhas palavras, os meus monólogos convertidos em diálogos. Ciclo de sensações auditivas e palativas, se é que tal palavra existe! Torno-me na minha própria interlocutora e espectadora. Carrego a balança aos ombros, que nunca pende para um lado. Ying e yang! Harmoniaaaa aahhh. Peço com carinho uma vez mais para me calar, aguardo expectante pelos raros e preciosos minutos de silêncio mentais. Apenas cala-te e ouve.

Cara ou Coroa?

domingo, 2 de novembro de 2008

euforia

porque agora só me dá vontade de rir. rir rir RIR até mais não! Estou assim que nem uma chama acesa, alimentada por algo que nem sei bem. Mas continuo a arder. Gargalhadas fogem-me da boca, o brilho dos meus olhos incandeia a tua visão. Deito-te a língua de fora e faço-te caretas! Sou que nem uma criançinha, bem pequena bem inocente, com aquela maldade que todos perdoam. Finalmente... posso respirar e sorrir. Ahhh ainda bem que não acreditei em ti. Sou feliz uma vez mais!

estou encantada com a maravilha da felicidade, sinto-a como se fosse a primeira vez, tal e qual como o fumo do primeiro cigarro nos pulmões. quem disse que não temos o controlo da nossa vida? temos sim... basta acreditar!


Neste estado aparvalhado, eufórico, emocionado, intenso e dramático, neste estado de êxtase.

Não amo ninguém, mais que a mim mesma.

uma música que faz juz ao meu estado de espírito MGMT - time to pretend http://www.youtube.com/watch?v=XVnRzEjpUmE

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

cabecinha cabecinha, para que serves tu?

Paixão ao momento, tão intensa e ardente... assim loucura inconsciente submissao ao sentimento que nos leva ao mais puro êxtase: o desejo.
Desejo que rouba sorrisos e olhos esbugalhados. Desejo surpreendente mas já previsto. Imprevisibilidade tão previsivel, és tão certa como o cair a maçã de Newton. Porque não surges envolta em confetis e serpentinas, como se fosses surpresa? Deixa-me entregue à inocência e ingenuidade. Estou farta da claridade do meu próprio ser. Quero me tornar num mistério ilógico, irracional, estúpido e absolutamente inalcançável aos olhos da minha alma. Ou então continuo assim, noite a noite, sob a magia da lua, entregue à minha própria inconsciência. Ervinhas que atenuam a dor do meu pŕoprio pensar, papel que me deixa sonhar e voar, cálices que saciam a sede de alegria e euforia. Injecções de anestesia constantes e conscientes, ironicamente, para me entregar à inconsciência.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Borboleta voa voa... comigo

Há momentos únicos. Momentos imperceptíveis que apenas duram fracções de segundos, tão rápidos tão rápidos que nem te dás conta que aconteceram, e mesmo diante dos teus olhos. Imagino os momentos como borboletas a pousar de flor em flor. Borboletas multicolores que fazem inveja aos raios de sol, fazem acrobacias no ar. É um mundo cheio de borboletas. Mas há sempre uma especial. Há sempre uma que nos capta o olhar e nos obriga a viajar com ela de flor em flor, ramo em ramo, subir e descer montes, e finalmente pousar para a apreciarmos com toda a nossa atenção. E o mundo cala-se. O silêncio vale mais que quaisquer palavras para a descrever, mas não vale mais que o olhar. O olhar tão intenso que queima, tão profundo que se gritássemos a nossa voz se perderia no tempo, tão puro e cristalino que nos sentimos nuas perante o mundo, tão lento que parece uma eternidade de absoluta contemplação. Os ouvidos enchem-se de som, e a mente desperta tal como os sentidos entorpecidos. Fico confusa para logo abraçar uma lucidez estonteante. E é aí que te volto a olhar, e como se fosse planeado olhamos no mesmo exacto momento apenas para confirmar que aconteceu. E surge o sorriso, e digo o, porque há apenas um. Os nossos sorrisos abrem-se como o sol a despontar por detrás dos montes. Mas não com pressa. Não precisamos de antecipar o pico de luz, porque temos a certeza absoluta que virá. Como se fosse planeado. Só que não foi.

sábado, 18 de outubro de 2008

segundos eternos

Um pássaro que voa no lusco-fusco. O vento sopra frio e cruel. Arrepio-me e aconchego o casaco. Percorro o parque com o olhar. Silêncios espectrais espreitam por entre as folhas. Amores perdidos aguardam ainda as eternas amadas, que já não vêm. As folhas caiem dando o seu último suspiro no mundo. Repousam no chão, quietas, incólumes. Mortas. Caminhas sem deixar qualquer vestígio. O teu passo confunde-se com os ponteiros do relógio, na sua regularidade viciante “tic tac tic tac”. Destoas com o teu tom negro e fúnebre. O teu chapéu já o vento o levou. Sinto-me nua sob o teu olhar. Desprovido de qualquer julgamento, de qualquer emoção. Um olhar de espectador. Não sentes, não pensas. Apenas vês com os olhos de quem vê e não quer ver mais. Deambulas por entre as árvores do parque à espera. Pisco os olhos, e desapareceste, tal e qual como apareceste. Como o último raio de sol no cair da noite.