segunda-feira, 27 de outubro de 2008

cabecinha cabecinha, para que serves tu?

Paixão ao momento, tão intensa e ardente... assim loucura inconsciente submissao ao sentimento que nos leva ao mais puro êxtase: o desejo.
Desejo que rouba sorrisos e olhos esbugalhados. Desejo surpreendente mas já previsto. Imprevisibilidade tão previsivel, és tão certa como o cair a maçã de Newton. Porque não surges envolta em confetis e serpentinas, como se fosses surpresa? Deixa-me entregue à inocência e ingenuidade. Estou farta da claridade do meu próprio ser. Quero me tornar num mistério ilógico, irracional, estúpido e absolutamente inalcançável aos olhos da minha alma. Ou então continuo assim, noite a noite, sob a magia da lua, entregue à minha própria inconsciência. Ervinhas que atenuam a dor do meu pŕoprio pensar, papel que me deixa sonhar e voar, cálices que saciam a sede de alegria e euforia. Injecções de anestesia constantes e conscientes, ironicamente, para me entregar à inconsciência.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Borboleta voa voa... comigo

Há momentos únicos. Momentos imperceptíveis que apenas duram fracções de segundos, tão rápidos tão rápidos que nem te dás conta que aconteceram, e mesmo diante dos teus olhos. Imagino os momentos como borboletas a pousar de flor em flor. Borboletas multicolores que fazem inveja aos raios de sol, fazem acrobacias no ar. É um mundo cheio de borboletas. Mas há sempre uma especial. Há sempre uma que nos capta o olhar e nos obriga a viajar com ela de flor em flor, ramo em ramo, subir e descer montes, e finalmente pousar para a apreciarmos com toda a nossa atenção. E o mundo cala-se. O silêncio vale mais que quaisquer palavras para a descrever, mas não vale mais que o olhar. O olhar tão intenso que queima, tão profundo que se gritássemos a nossa voz se perderia no tempo, tão puro e cristalino que nos sentimos nuas perante o mundo, tão lento que parece uma eternidade de absoluta contemplação. Os ouvidos enchem-se de som, e a mente desperta tal como os sentidos entorpecidos. Fico confusa para logo abraçar uma lucidez estonteante. E é aí que te volto a olhar, e como se fosse planeado olhamos no mesmo exacto momento apenas para confirmar que aconteceu. E surge o sorriso, e digo o, porque há apenas um. Os nossos sorrisos abrem-se como o sol a despontar por detrás dos montes. Mas não com pressa. Não precisamos de antecipar o pico de luz, porque temos a certeza absoluta que virá. Como se fosse planeado. Só que não foi.

sábado, 18 de outubro de 2008

segundos eternos

Um pássaro que voa no lusco-fusco. O vento sopra frio e cruel. Arrepio-me e aconchego o casaco. Percorro o parque com o olhar. Silêncios espectrais espreitam por entre as folhas. Amores perdidos aguardam ainda as eternas amadas, que já não vêm. As folhas caiem dando o seu último suspiro no mundo. Repousam no chão, quietas, incólumes. Mortas. Caminhas sem deixar qualquer vestígio. O teu passo confunde-se com os ponteiros do relógio, na sua regularidade viciante “tic tac tic tac”. Destoas com o teu tom negro e fúnebre. O teu chapéu já o vento o levou. Sinto-me nua sob o teu olhar. Desprovido de qualquer julgamento, de qualquer emoção. Um olhar de espectador. Não sentes, não pensas. Apenas vês com os olhos de quem vê e não quer ver mais. Deambulas por entre as árvores do parque à espera. Pisco os olhos, e desapareceste, tal e qual como apareceste. Como o último raio de sol no cair da noite.