quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Borboleta voa voa... comigo

Há momentos únicos. Momentos imperceptíveis que apenas duram fracções de segundos, tão rápidos tão rápidos que nem te dás conta que aconteceram, e mesmo diante dos teus olhos. Imagino os momentos como borboletas a pousar de flor em flor. Borboletas multicolores que fazem inveja aos raios de sol, fazem acrobacias no ar. É um mundo cheio de borboletas. Mas há sempre uma especial. Há sempre uma que nos capta o olhar e nos obriga a viajar com ela de flor em flor, ramo em ramo, subir e descer montes, e finalmente pousar para a apreciarmos com toda a nossa atenção. E o mundo cala-se. O silêncio vale mais que quaisquer palavras para a descrever, mas não vale mais que o olhar. O olhar tão intenso que queima, tão profundo que se gritássemos a nossa voz se perderia no tempo, tão puro e cristalino que nos sentimos nuas perante o mundo, tão lento que parece uma eternidade de absoluta contemplação. Os ouvidos enchem-se de som, e a mente desperta tal como os sentidos entorpecidos. Fico confusa para logo abraçar uma lucidez estonteante. E é aí que te volto a olhar, e como se fosse planeado olhamos no mesmo exacto momento apenas para confirmar que aconteceu. E surge o sorriso, e digo o, porque há apenas um. Os nossos sorrisos abrem-se como o sol a despontar por detrás dos montes. Mas não com pressa. Não precisamos de antecipar o pico de luz, porque temos a certeza absoluta que virá. Como se fosse planeado. Só que não foi.

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