sábado, 18 de outubro de 2008

segundos eternos

Um pássaro que voa no lusco-fusco. O vento sopra frio e cruel. Arrepio-me e aconchego o casaco. Percorro o parque com o olhar. Silêncios espectrais espreitam por entre as folhas. Amores perdidos aguardam ainda as eternas amadas, que já não vêm. As folhas caiem dando o seu último suspiro no mundo. Repousam no chão, quietas, incólumes. Mortas. Caminhas sem deixar qualquer vestígio. O teu passo confunde-se com os ponteiros do relógio, na sua regularidade viciante “tic tac tic tac”. Destoas com o teu tom negro e fúnebre. O teu chapéu já o vento o levou. Sinto-me nua sob o teu olhar. Desprovido de qualquer julgamento, de qualquer emoção. Um olhar de espectador. Não sentes, não pensas. Apenas vês com os olhos de quem vê e não quer ver mais. Deambulas por entre as árvores do parque à espera. Pisco os olhos, e desapareceste, tal e qual como apareceste. Como o último raio de sol no cair da noite.

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