quinta-feira, 20 de novembro de 2008

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Começo no começo. O início indefinido, temporalmente unavailable. O histórico nada diz como se não quisesse compactuar com a sua verdadeira existência, pergaminho selado atado na pata duma pomba que já levantou asas. Talvez naquele dia, naquela hora, minuto e segundo x. Talvez durante semanas, talvez meses, ou mesmo desde que nasci. Nascimento auto-suficiente, marcado pela ultra consciência. Estou viva e sinto. Não procuro respostas, apenas aceito, porque sei que as respostas já foram respondidas com novas perguntas. Patamares espirituais que adquiro, passinho a passinho, numa escadaria infinitamente finita. Tornei o impossível possível, num rasgo perfurei a realidade impiedosamente e, roubei-lhe o mistério. Segredos ocultos? Invento-os para não me perder nesta monotonia e abolia viciantes. Brinco e re-invento a inocência, pureza absoluta e inigualável, desempenho-a como mais me apraz. Reavivo a criança dentro de mim, sinto-lhe falta, como uma peça perdida dum puzzle. Tornei-me numa estranha minunciosa, de lupa nos olho, procurando pedacinhos para analisar, alimento que sacia a minha mente preversa.

Começo no começo porque o começo nunca terá fim.

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