sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Stop

Uma dor de cabeça periférica, latente latente que me faz repousar as pálpebras sobres os globos de vidro que tudo vêem, que tudo espreitam, que nada reflectem se não o tudo da sua alma.
Uma dor de pensar, racionalização constante e imparável, maquinazinha de neurónios entrelaçados, massa cinzenta incongniscivel que trabalha e trabalha e trabalha. Stop! Pára de pensar. Sentir antes de viver, arrancar o melhor da realidade em actos únicos e dolorosos que me vão delicerando aos poucos e poucos. O vidro estilhaça-se em fragmentos múltiplos e caiem sobre o chão um a um como gotas límpidas e transparentes, olhos que choram. Mas nem o chorar acalma a dor. Não é verdadeiro. Já o antecipei nos meus pensamentos. Já senti o corte lancinante no meu coração, um golpe duma faca afiada assim, deixando-me a sangrar por dentro. Hemorragia interna, mas que é do sangue ? Secou... Resta-me apenas a minha mente, as minhas palavras, os meus monólogos convertidos em diálogos. Ciclo de sensações auditivas e palativas, se é que tal palavra existe! Torno-me na minha própria interlocutora e espectadora. Carrego a balança aos ombros, que nunca pende para um lado. Ying e yang! Harmoniaaaa aahhh. Peço com carinho uma vez mais para me calar, aguardo expectante pelos raros e preciosos minutos de silêncio mentais. Apenas cala-te e ouve.

Cara ou Coroa?

1 comentário:

Maria Arrifano disse...

sabia bem ter um botão que desligasse o cerebro por uns minutos... gostei do texto!

boa semana para ti *