o nervoso miudinho à muito que se instalara no seu corpo.
Todos os milímetros da sua pele transpiravam
enquanto o seu coração batia descompassadamente.
Sentia o fluxo de adrenalina percorrer-lhe as veias
insuflando cada orgão de vida, despertando cada sentido
Não havia como fugir à regra. Levantou a mão na horizontal até à sua linha de visão. Não tremia.
Pousou-a no peito e sentiu as batidas regulares do coração.
Inspirou e expirou, uma e outra vez, sem qualquer dificuldade.
Esperava estar nervosa. Estranhou a sua quietude.
Sentou-se nas escadas aguardando
olhou em volta e sentiu olhos e palavras de consolação.
"Não estejas nervosa" diziam-lhe.
e não estava e só lhes queria gritar isso.
Mas não conseguia. Estava totalmente anestesiada.
Está na hora.
Levantou-se e entrou em palco.
As luzes ofuscavam-lhe a visão
no entanto percorreu o balcão superior com os olhos
descodificando caras e expressões.
Olhou para o balcão inferior e ali encontrou os olhos dos progenitores
Expectantes, será que esperavam a surpresa ou a desilusão?
Lembrou-se do que lhe disseram "são mais de 900 pessoas"
Riu-se para si! Olhou em volta.
O pianista sorriu-lhe e olhou-a num jeito de cumplicidade
"vai correr tudo bem" pensou
pegou no microfone e que poder lhe transmitia aquele objecto!
Começaram-se a ouvir as primeiras notas do piano
Sorrindo, julgo que desde que entrou em palco, levou o microfone aos lábios
"you know that it would be untrue.. you know that i would be a liar.."
e cantou. e dançou. e enganou-se na letra. e improvisou. e quanto mais improvisava mais prazer tinha em cantar. Transformou-se em palco como flor que desabrocha.
quanto mais "brincava" com a voz mais aplausos ouvia
mas será que não percebiam a magnitude daquele momento?
foi a libertação máxima dos seus receios e medos, dos complexos enraizados no seu ser.
foi a conquista pessoal, o ser capaz, o arriscar, o não ter medo, o provar aos outros,
foi a perfeição obtida pela imperfeição, a espontaneidade musical, o brilhar.
foi exactamente aquilo que ela queria que fosse mas que nunca imaginou que poderia ser.
Não tinha como conter tantas emoções. Sentiu o corpo frágil e pequeno demais, precisava de extravasar ou explodiria de tamanha felicidade.
Pós-estreia todo o seu corpo adoptou a postura pré-estreia.
novamente, como se anestesiada, nem falar conseguia, ou queria sequer!
limitava-se a olhar em volta, sorrindo e usufruindo do prazer que sentia.
Hoje olhei para o céu e reparei numa estrela em particular.