segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

?

“Porquê?”

Questionou-se incrédulo.

Rebusca na memória pistas

vestígios de algo para acalmar a dor.

Pior que a perda, o simples não saber.

A ignorância magoa a fundo,

suspeita da própria segurança,

sufoca a cada bafo de ar inalado.

Porquê?

Inventa respostas. Traços de criatividade em anonimato.

O espelho sugere

“espelho meu, espelho meu, que fiz eu?”

Silêncio.

Porquê?

Não sei.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

my sweet prince

agora é tarde meu doce príncipe

a noite caiu e a lua já brilha

não chores meu bem… as memórias aquecem o coração

e os olhos fecham de mansinho.

murmura o meu nome

quanto tempo me chamaste e eu sorri?

Desejo-te

Pula de prazer, ainda é noite

Abraça-me, beija-me. Perdeste-me.

Sentes? Eu sinto-te. Perdi.

Quero o nascer do sol.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

nothing seems like home

expressões enigmáticas, olhos inquisidores

língua trémula que não descola do tecto da boca.

Meios sorrisos, risos forçados.

Caras e cara, só mais uma que se confunde na multidão.

O metro respira stress, uma paragem, duas paragens. É aqui.

Não se sente, não se vê, não se conhece.

Coração adormecido, é uma cidade como as outras

só que agora é minha.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

02-09-09

Bolhas gaseificadas borbulham na minha garganta

(champanhe de celebração mascarado!)

arranham por dentro, arde-me a respiração

como se o ar fosse fogo

e eu, uma musa em chamas.

Gritar desespero, chorar lágrimas doces

ouvir o eco que ecoa nas palavras ditas e esquecidas

Beco sem saída, ajoelha-te perante as memorias,

não há refúgio nem no imaginário, a dor é o amor!

Pudesse voar e ser decapitada por um crime passional.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

music is for writers

gargalhadas ecoam nos meus ouvidos

sorrisos, olhos cintilantes, estrelas cadentes

numa explosão de gargalhadas que enfeitiçam o paladar

é o saborzinho que a saudade reclama.

O peito insufla bafadas de ar

Numa estranheza que renova.

Purifica, oxigena como o mais puro ar da serra.

as the day goes by




Uma linguagem que exige simbiose

Fluida, transporta uma lucidez

que se mascara de espontaneidade.

Afirma. Nega.

Mas o resultado é gratificante.

Olhares são recebidos por olhares.

Comunicação.

Whispers



Abraçando uma enorme expectativa

É o saber que a deleita.

Causa, consequêcia, o certo é que o prazer não se intimida.

Treasures

sábado, 22 de agosto de 2009

folha em branco

Cada toque.
Cada palavra.
Cada suspiro.
Uma lágrima que cai sobre o tampo da mesa.
Num silêncio que magoa, ecos de desalento vagueiam no vazio da minha mente.
Profundo e abismal, negros olhos espelham o nada que me atormenta.

GRITA ALTO. BERRA QUE NEM UMA LOUCA. RRRRUJE COMO SE FOSSES UMA LEOA!
...manifesta-te. Algo surgirá.

domingo, 16 de agosto de 2009

uma impaciência consumista
o prazer advém do relaxe... único
procura insaciável, incessante, incansável
onde acaba esta esfera?

unhas vermelhas, toque feminino
sedutor na sua singularidade de menina
coelho que sai da toca, revelas-te assim
só assim
e regressas ao subterrâneo sufocante
oxigénio, quero é luz!
Bom dia, é hora de acordar.

Porto Lisboa, atracção magnética
nunca houve verdadeiro encaixe
até.
Qual a lógica de querer a quarta podendo escolher a primeira?
desvio de responsabilidade.
Entregar o desfecho a alguém/instituição
sempre me disseram para ter um espirito prático.
O mundo gira à volta de dinheiro.
Tenho 4 euros e 32 cêntimos no meu porta moedas

Desligar a espontaneidade mental
o interruptor fica algures
já não interessa
a distracção não é tímida.
sugaaaaaaa-me
TUDO MENOS ISTO
obrigada.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

jogos e joguinhos

Enquanto atravessa a neblina
Vislumbra traços que irá conhecer
Pressente toques que irá trocar
Vive em antemão a pureza da emoção
Os olhos turvos não distinguem
Jogam pelo seguro, aguardam indicações, guiam-se pela razão.
Um passo em frente... e aguarda.
Os joguinhos começaram.
Mascara-se a dor pela indiferença.
Tornou-se no mestre do bluff.
Leva o próximo à previsibilidade
É feliz, alcançou aquilo que queria.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

something

O profundo –undo –undo eco

Susurra propositadamente

Alma seca de marfim sugas-me o olhar

Vida estática que rema

O auge nunca irás alcançar

Duvida persistente insiste no olhar

Garantes o meu sorriso?

Desejo-te e temo-te

Quem és tu para me governar?

domingo, 12 de julho de 2009

chaos

Uma mão cheia que dá para pensar
Lentamente vejo-a ceder
o peso é simplesmente estonteante
Mas mantém-se firme, não é tempo para fraquejar
A inevitabilidade da ampulheta
Regra de ouro: a gravidade só não faz sentido na lua.
Quase a sucumbir, reajo
Duas mãos cheias que dão para pensar.
Como escolher entre o presente e o futuro?
Opções tolas que me retiram do abismo.
Tivesse eu realmente oportunidade de escolha
escolhia o futuro no presente.
o concreto leva sempre a sua avante, contornos dão sempre para pensar.
Já anseio pela desistência inevitável
Que sucumbam ambas as mãos
Que sejam mãos cheias de nada
de nada para pensar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

É o querer falar sobre isso a toda hora

uma emoção desmedida saber que é real

os ouvidos estão sedentos

incrédulos idolatram a repetição

a boca, procura-lhe os lábios

vicia-se no contorno e no sabor único.

nem quando tinha estatuto de ilusão

lhe tinha dado tanto prazer

a imaginação ficou aquém da realidade

perdeu na sintonia vivida segundo a segundo.

mas a irracionalidade ganhou consciência

cedo, apercebeu-se que a rosa tem espinhos

e magoam, como um seta certeira no coração.

a cedência tornou-se numa hábito

em prol dum bem maior, pensou.

aii a inocência dos amantes principiantes

os olhos brilhantes reflectem o sorriso rasgado

tanta paixão para um corpo conter

vocabulário diminuto, as palavras perderam o seu valor

inventa-se um novo dicionário! Sim agora já faz sentido

cada palavra murmurada ao ouvido, um batimento que acelera a pulsação.


a ilusão fere mais que a verdade.



sexta-feira, 3 de julho de 2009

simplesmente

Simplesmente escrever

deixar os dedos deslizar... tecla a tecla, como que mecanizado

o que estão mesmo a escrever?

Não sei nem quero saber

simplesmente escrever.


Sinto-me anestesiada

imune às dores e aos amores

deixei de sentir?


A habituação faz destas coisas

mas a surpresa também

cara e coroa são sempre uma moeda.


Escrever sem parar

não ler, não rimar

não parar -ar -ar -ar


Uma pausa de contemplação

melodia cristalina

deixa um rasto de saudade

arrasta-me nas memórias

esbatidas pelo tempo

caras que conheci

reflexo que senti

eu

fui

não sou mais

só eu.


Simplesmente escrever

Simplesmente

quinta-feira, 2 de julho de 2009

aconteceu.

adormeço ao de leve, entregue a um sono livre de pensamentos
numa quietude perturbante.
a despreocupação transparece no meu olhar,
outrora sonhador, e revela-se no sorriso tímido que desponta.
aleatoriamente, tudo aconteceu, e surgiu uma cadeia de acontecimentos
cujo fim não se avizinha.
que nem seara de trigo que dança ao sabor do vento
inocentemente, ondulei ao sabor da vida
numa tentativa de resgatar emoções na sua forma mais pura.
a surpresa incentivava a impulsividade
a impulsividade o arriscar.
arrisquei. vivo continuamente na expectativa.
mas não sonho, o depois não tem qualquer interesse.
é o agora, o sentir agora, o viver agora, ser eu agora.

alcancei a essência natural da vida.







domingo, 14 de junho de 2009

um longo e profundo suspiro
...

alívio fictício da dor que me consome.
chama incandescente
que me queima os lábios feridos
mas nem os olhos choram.
um grito em vão aclamado aos céus.
será que ninguém vê?
a garra dilacerou-me em pedaços
um reflexo distorcido
maquiavelicamente planeado.
os dedos entorpecidos
tocam-se.. preciso de saber que estou viva.
o simples respirar subitamente deixou de fazer sentido, a simplicidade da minha condição biológica repugna-me, tudo me repugna!
estenderam-me um guião
e eu na minha inocência preservada
desempenhei o papel
Não quero! Não!
nunca pedi para fazer parte deste teatro gigante
não compactuo com a falsidade das acções
a espontaneidade perdeu-se nas linhas que não dizem nada. absolutamente nada.
palavras. ordens. sem sentido. nada faz sentido.
tudo gira em torno disto
espirais que se fundem num plano maior
revolução geométrica
que leva à insanidade.
a consciência rema em direcção ao caos.
não há como fugir à ordem natural das coisas.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Nas profundezas do oceano
onde os segredos são guardados
e os tesouros cobiçados
Eros procura o detentor do arco perdido
nas eras perdidas no decurso do tempo.
um sopro trespassou-lhe o coração.
Aturdido, sentiu-se a fraquejar...
oh Zeus que o acuda!
uma onda de ansiedade dominou-lhe os sentidos.
nem sabedoria dos deuses, nem os saberes dos mortais
haveriam do resguardar.
O seu coração batia forte e descompassadamente
que nem mar alto em noite de tempestade.
Bruscamente, uma onda gelada atira-o contra uma rocha, deixando-o submerso na inconsciência.
atordoado e magoado procurou refúgio junto às ninfas
mas nem estas lhe deram guarida!

Saciamos o desejo, jurando o mais puro prazer..
de nada nos serves assim!

perdido, que nem barco prestes a naufragar
surge Vénus, doce Vénus para o salvar.

dum jeito simples e ternurento
que apenas a compaixão poderia despoletar
Vénus susurra-lhe..

a seta foi certeira..
Quem ousou desafiar os deuses..?
foi a ambição tola dum mortal
..um amor místico ele desejava..
e de todo o Olimpo escolheu-te a ti Eros

o amor apaixonou-se..

sábado, 6 de junho de 2009

tela branca

Era uma tela
pintada de azul, rosa e amarelo
Tinha riscos e bolas, dedadas ocasionais e manchas esbatidas.
Era uma tela pintada
que por mais que o meu olhar se demorasse nela
que a percorresse com o dedo indicador
faltava-lhe sempre algo.
Pelo canto do olho vi um balde de tinta branca.
Num acto único e impensável atirei a tinta contra a tela
e aguardei.
As cores contrariadas começaram a desvanescer-se formando colunas verticais que vertiam sob a forma de pingas para o chão.
A tela chorava. Já não era tela, não mais.
Era uma simples e vulgar tela branca
tal e qual como no início.
Sorri.

A tela branca reflectia o negro dos meus olhos. Imagens indefinidas começaram a materializar-se
fundindo-se nos meus sonhos vastos e infantis.
A tela ganhou vida.
Mas a tela ainda era branca.

Tenho saudades de me poder reinventar a cada segundo
usufruir do inesperado que rouba emoções.
Quero ser tela branca.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

espectros dançam por entre
raios de sol quentes fugídios
tons dourados ondulam
no mar de partículas cintilantes
criando um cenário resplandecente
Aurora fictícia que me envolve e acalma

quarta-feira, 3 de junho de 2009

xiiiu é segredo

Queria poder falar sobre isso
mas as palavras enrolam-se na língua
e a língua teima em não se soltar.
Que nem segredo guardado num pergaminho selado
nem os lábios ousam te murmurar.
Foi a condição imposta inicialmente
como um contrato selado com o diabo.
Quero desfazê-lo, rasgar o segredo em mil pedacinhos
e lançá-los na fogueira um a um a um!
Mas a chama mantém-se viva
o que não a destrói apenas a fortifica...
lançando faíscas que rasgam o céu escuro,
crepitando para atordoar o silêncio da noite...
a fogueira majestosa arde.

o segredo sabe-se agora,
corre de boca em boca
sofrendo uma metamorfose progressiva.
o segredo que era segredo
deixou de o ser
e agora, também eu lhe acrescento um ponto.

Mas os que eles não sabem
é que o segredo nunca foi revelado
e eu continuo a querer falar sobre ele.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

1 hora

Tic tac tic tac tic tac

atraso uma hora no relógio
ganhei uma hora de vida.
o que fazer deste pedaço de tempo?
gostava de poder guardá-lo numa caixinha
e usá-lo como tempo extra.
prolongar uma hora de deleite
bastava esticar o plano temporal.
Não faria mal a ninguém.
As minhas duas horas seriam somente 60 minutos para os restantes mortais
é tudo uma questão de percepção.

retrocedi uma hora no tempo
revivo cada minuto outra vez?
ou reinvento?

uma hora
dotada do encanto da espontaneidade
tropeçou em alguns segundos
percalços dum viajante do tempo.

tenho agora um mapa do espaço temporal.
sei como o percorrer
quais as direcções tomar
e quais as que tenho a evitar.

retrocedi uma hora no tempo
revivo cada minuto outra vez?
ou reinvento?

as consequências foram desastrosas
os segundos foram eternos
e eu... perdi-me nos ponteiros a girar

o relógio está a girar...
cada vez mais perto da hora acabar
cada vez mais longe de eu me decidir

uma hora

arrependimento:
Sim? reinvento
Não? revivo

a curto prazo... totalmente nulo.
a longo prazo... só o tempo o dirá.

uma hora
o ponteiro gira
segundo
a segundo
a segundo.

o meu relógio está atrasado uma hora.

domingo, 17 de maio de 2009

chamem-lhe instinto, dedinho que adivinha ou um sexto sentido apurado
simplesmente sabe-se.
então porque cometemos continuamente o mesmo erro?
retiro prazer da dor anunciada

segunda-feira, 11 de maio de 2009

don't see me, just look at me

Fecha os olhos - pediu-lhe, susurrando-lhe ao ouvido.
De sorriso tímido na boca, procurou-lhe o olhar e fechou as pálpebras ao de leve.
Hesitante, trincou o lábio e aguardou.
Sentia-a-lhe a presença, como se os seus corpos estivessem em contacto, adivinhava-lhe as expressões, como se o estivesse a ver. O simples saber que ali estava provocava-lhe arrepios na espinha. Mas não cedeu, aguardando nos segundos de expectativa.
No silêncio escutou o acelerar do coração. A sua respiração fortaleceu-se, quebrando o silêncio imposto por ambos.
O seu corpo começou a sucumbir à torrente de sensações ilusórias.
Num arrepio sentiu o toque meigo dos seus dedos no pescoço. Percorrendo-a, estudou-lhe a cara, pousando com cuidado os dedos nos lábios. Aí demorou-se, contornando-os e deliciando-se com o simples prazer do toque.
Aproximando-se dela, inspirou e expirou no seu ouvido, dando-lhe pequenos beijos. Sentiu-lhe o prazer intenso e em deleite absoluto, os seus lábios não conseguiram resistir mais, fugindo para a sua boca sedenta de prazer.
Abriram os olhos e encontraram-se no olhar.
Um único olhar.

Gosto de olhares.

sábado, 9 de maio de 2009

a estreia

o nervoso miudinho à muito que se instalara no seu corpo.
Todos os milímetros da sua pele transpiravam
enquanto o seu coração batia descompassadamente.
Sentia o fluxo de adrenalina percorrer-lhe as veias
insuflando cada orgão de vida, despertando cada sentido
Não havia como fugir à regra.



Levantou a mão na horizontal até à sua linha de visão. Não tremia.
Pousou-a no peito e sentiu as batidas regulares do coração.
Inspirou e expirou, uma e outra vez, sem qualquer dificuldade.
Esperava estar nervosa. Estranhou a sua quietude.
Sentou-se nas escadas aguardando
olhou em volta e sentiu olhos e palavras de consolação.
"Não estejas nervosa" diziam-lhe.
e não estava e só lhes queria gritar isso.
Mas não conseguia. Estava totalmente anestesiada.

Está na hora.
Levantou-se e entrou em palco.

As luzes ofuscavam-lhe a visão
no entanto percorreu o balcão superior com os olhos
descodificando caras e expressões.
Olhou para o balcão inferior e ali encontrou os olhos dos progenitores
Expectantes, será que esperavam a surpresa ou a desilusão?
Lembrou-se do que lhe disseram "são mais de 900 pessoas"
Riu-se para si! Olhou em volta.
O pianista sorriu-lhe e olhou-a num jeito de cumplicidade
"vai correr tudo bem" pensou

pegou no microfone e que poder lhe transmitia aquele objecto!
Começaram-se a ouvir as primeiras notas do piano
Sorrindo, julgo que desde que entrou em palco, levou o microfone aos lábios
"you know that it would be untrue.. you know that i would be a liar.."
e cantou. e dançou. e enganou-se na letra. e improvisou. e quanto mais improvisava mais prazer tinha em cantar. Transformou-se em palco como flor que desabrocha.
quanto mais "brincava" com a voz mais aplausos ouvia
mas será que não percebiam a magnitude daquele momento?
foi a libertação máxima dos seus receios e medos, dos complexos enraizados no seu ser.
foi a conquista pessoal, o ser capaz, o arriscar, o não ter medo, o provar aos outros,
foi a perfeição obtida pela imperfeição, a espontaneidade musical, o brilhar.

foi exactamente aquilo que ela queria que fosse mas que nunca imaginou que poderia ser.
Não tinha como conter tantas emoções. Sentiu o corpo frágil e pequeno demais, precisava de extravasar ou explodiria de tamanha felicidade.

Pós-estreia todo o seu corpo adoptou a postura pré-estreia.
novamente, como se anestesiada, nem falar conseguia, ou queria sequer!
limitava-se a olhar em volta, sorrindo e usufruindo do prazer que sentia.

Hoje olhei para o céu e reparei numa estrela em particular.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

a muralha da China afinal não é impenetrável
o balão afinal sempre sobe
mas como contrariar a gravidade?
jogar computador
bang bang
GAME OVER

restart
uma nova vida simulada
marionetes, teatro
um guião, uma história
Princípio e um fiM

PONTO.

(suspira enquanto pisca os olhos num jeito cansado)

terça-feira, 5 de maio de 2009

the fictional pleasure

o gostinho chega aos poucos e poucos
hesitante e trémulo, passeia-se como se soubesse para onde ir
especula o seu destino
molda o seu coração
semeia expectativas
cria ilusões?

o gostinho que envolve e arrepia
que fecha as pálpebras ao de leve ao de leve
e desenha um sorriso tímido nos lábios
-inho -inho -inho

o prazer da antecipação

sexta-feira, 20 de março de 2009

partilha da dor

cachorrinha, esta é a tua nova casa
és tão deliciosa, filó.. sê fiél, sê amiga
talvez preenchas o vazio que se formou.. mas é bem grande sabes?
buraco negro que suga tudo..
tentamos e tentamos, mas sabes? é tão dificil não ser arrastado
a saudade complica tudo.
Tentei esquecer-te e sinto-me culpado por isso.
Devia sentir a tua falta, mas não sinto
é como dizem, só quando perdemos uma coisa percebemos o seu valor...
aiii, qual afinal o teu valor?
...para mim?
menor do que o suposto
a morte em troca da liberdade!

a culpa estraga tudo..
remorço pelo que se disse..
e ainda mais pelo que se não disse!

não eras fácil tu.. feitio singular, difícil, que me atormentou
tanto tanto tanto

mas sempre gostei de ti

afinal... sempre foste meu pai

domingo, 15 de março de 2009

memórias de um bêbado

...

o sigilo foi quebrado
denuncio-me em cada palavra, em cada silêncio.
Não sou eu, não mais
Sou projecção dum outro fragmento do eu
o que assume a cara sem a máscara
mas mascara a dor
identidade perdida no percurso do tempo
algures entre 5 segundos passados e 10 segundos futuros
entalado nas milésimas.. (burocracias incontornáveis!)
preso a uma descontinuidade temporal,
repetindo o mesmo over and over again
Doloroso e excruciante, carregar na ferida sabendo que dói.
que dia é hoje mesmo?
Já não me interessa, mas sei o interesse
é o querer não sentir, mas sentir
afinal que proveito tem a ilusão se não ilude?


terça-feira, 10 de março de 2009

E de enfeitiçar (?)

E quando o papel se inverte?

Como assim?

Oh va lá feiticeira... os feitiços que te realmente importam, são aqueles que têm retorno.

Continuo sem perceber...

É estranho seres feiticeira e desconheceres de todo o que implica a tua existência. És feiticeira, porque queres ser tão enfeitiçada como enfeitiças.

Não... eu gosto de enfeitiçar, pelo simples prazer de enfeitiçar, e saber que sou capaz.

Então siginifica que vais resumir a tua efémera existência ao simples prazer de enfeitiçar?

amm.. não sei o que te responder.. não gosto muito de pensar nisso. Sei o meu propósito e basta-me.

Porque tens medo de ser enfeitiçada?

Sei o poder dos meus feitiços nos outros...imagina o poder que teriam sobre mim!

Nunca foste enfeitiçada?

estou enfeitiçada... e odeio.

domingo, 8 de março de 2009

F de feitiços (?)

És feiticeira. Consegues transformar um sapo num príncipe?

Os meus feitiços dependem sempre do objecto enfeitiçado. Se ele quiser então sim. Se o sapo quiser ser príncipe, então assim o será.

Mas feiticeira, assim, ele podia sê-lo sem o enfeitiçares. Porque és afinal feiticeira?

Porque enfeitiço.

Mas acabaste de dizer que só enfeitiças se a pessoa quiser ser enfeitiçada.

E então? Onde está a dúvida nisso? Continuo a enfeitiçar.

Não sei, não me pareces muito coerente. Estás me a deixar confuso... não me olhes assim por favor, deixas-me embaraçado!

Desculpa. Então acreditas em mim?

Ainda não sei... mas gosto do teu sorriso... e da maneira como me olhas. Tens um olhar muito singular feiticeira. Quase que podia ser enfeitiçado por ti.

Eu sei

quarta-feira, 4 de março de 2009

um ano tem 8 meses

Já não aguentava os meses cinzentos de Inverno. Crescia-lhe no peito o desejo pela mudança de estação. Mas quando finalmente a Primavera chegou, sentiu saudades do Inverno, do conforto e da segurança do seu doce Inverno. A primavera intoxicava-a com o seu perfume, com a sua melodia matinal, com as suas cores de arco-íris, com o seu brilho estonteante. Assustava-a, mas deliciava-a simultâneamente com as suas flores. "Se eu tivesse a certeza que as flores de laranjeira dariam laranjas, eu deixava os cachecóis, casacos e luvas no canto, e abraçava a Primavera para sempre!"

Mas como saber? O medo envenenava-lhe o sangue, preferiu não arriscar. Permaneceu enroscada no cobertor azul de flanela a ler relatos de vidas que poderiam ser a sua, de sonhar acordada viciada nos seus pensamentos, de não mudar, não mexer, não tentar, não arriscar. "

"Sonho continuamente no Inverno da minha vida".

terça-feira, 3 de março de 2009

Lily, a boneca de pano

Boneca de pano
Tens olhos de quem sonha
mas não coração de quem sente
como explicas então
que sintas tudo o que sonhas
mas não sonhes nada do que sentes?

Como amas se nunca amaste?
Como te apaixonas se nunca te apaixonaste?
Como sabes o que é o desejo se nunca desejaste?

Como não deixas de amar, apaixonar e desejar
no sonho profundo que não quer despertar?

Se o sentiste com o coração
e o viveste com a mente
quem se ergue para o acusar de uma ilusão?

Boneca de pano
com olhos em forma de estrelas
nunca deixes de sonhar
imaginar
voar
viver

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

destruição maciça de corações quentes e palpitantes

Muito antes de eu nascer o meu pai conheceu-te.
Feitas as apresentações pedidas pela formalidade, trocadas as primeiras impressões e os BIs ele ficou finalmente a conhecer-te. Nunca te tinha visto até então. Eras muito subtil e discreto, surgindo na penumbra da noite sempre envolto no teu longo manto preto que nem camaleão camuflado dos predadores. Nunca pensei que o papel fosse invertido.
Senhor de sabedoria, barbas brancas e compridas e de chapéu de coco na cabeça, desapareceste sem qualquer explicação. Mas o que mais o assustou não foi o desaparecimento fugaz, mas o mistério que rodeava o súbito e inesperado aparecimento. Afinal, quem és tu? Mais tarde veio a descobrir.
Eu conheci-te no Verão de 2008. Tropecei em ti na rua e os nossos olhares cruzaram-se por segundos. Os teus olhos nada revelavam, como se nem alma tivesses. As tuas mãos frias e brancas congelaram-me o coração. Não te quis perto de mim, preferi esquecer-te.
Mas tu não me esqueceste e regressaste uma e outra vez, num espaço de tempo tão pequeno, que ainda nem consegui respirar de alívio. Não sei como lidar contigo, nem com os danos que causas. Se pudesse chamar-te um nome, seria furacão.
Afaste-te furacão. Só causas dor.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

gigante Anão

Gigante adormecido
Despertas do teu sono irregular
envolto em teias entrelaçadas em teias.
As aranhas operárias, essas, já fugiram
Restas tu, sufocado no próprio corpo, em busca de lufadas de ar fresco.
Estás preso, de olhos vendados e ouvidos à espreita
perdido no negro escuro, numa ansiedade que leva à insanidade.
Paralisado que nem um cadáver
só o bater do coração te denuncia...

toc toc
Nunca o não saber te assustou tanto

toc toc
Nunca a impotência te levou à loucura

toc toc
Nunca viver foi tão dificil

Porque despertaste?
Segundos intermináveis transformam-se em horas
Crês agora na eternidade.
Multiplicas as possibilidades, pesas na balança
mas a solução é só uma.
Ironia Gigante como te tornaste tão pequeno...
a altura não se mede em metros, pensas tu.
Coragem Gigante
volta a adormecer
Esquece que foste gigante que se tornou anão
Recusa as memórias, abomina as seguranças
Adormece gigante, ao de leve ao de leve
porque quando acordares
vais ser uma aranhinha operária.
toc toc toc toc...

To shut down press enter


sábado, 7 de fevereiro de 2009

Guerreiro Lunar Amarelo

Polarizo com o fim de questionar
Estabilizando a intrepidez
Selo a saída da inteligência
Com o tom lunar do desafio
Eu sou guiado pelo poder da elegância


'Pergunto-me o que eu verdadeiramente quero neste momento e crio harmonia em meus pensamentos.'



http://www.pan-portugal.com/

Calcula o teu Kin ;)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

qualquer coisa

Novamente, sinto o impulso emergir por uns segundos, deixando a mente vaguear preguiçosamente pelas memórias ofuscadas pelo presente. Deixam um gostinho, um rasto demorado e torturante do que se segue.
Desnorteada e sedenta de um desejo intenso, procuro o que não sabia procurar. Procuro tudo... que é como quem diz nada.
Sou atraída para esta espiral de emoções e sentimentos, que me abanam e atiram bruscamente dum lado para o outro, e envolvem-me o corpo e a mente como a droga viciante que é. Estou entregue a este vaticínio, premeditado apenas por mim. Compreendo e aceito, não tento mudar, sou éfemera a cada momento e não sei ser outra coisa se não isso. Quero ser efémera e uma metamorfose ambulante, quero não me definir, ser livre para ser aquilo que quero ser no momento e somente nesse momento. Bloqueei os sentimentos grandes dos seres humanos. Apenas vivo em função de como quero viver. Não tenho um propósito de vida, não tenho uma meta a alcançar, não me aguarda uma medalha de triunfo no final da caminhada. A piada reside na simples caminhada em si, na deriva que se encontra fugazmente com o concreto e leva-me a viver uma e outra, e outra vez. Sou feita de oportunidades que aproveito no momento que surgem, sou feita da areia da praia que se molda ás estrelas e conchas de plástico.
Não posso comprometer-me com outro ser humano, não compactuo com as expectativas que depositam em mim. Sou uma utopia aos olhos dos outros.
Mas sei que não sou nada. Apenas eu, viajante do mundo e da mente, à procura de tudo, mas de nada.