quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

destruição maciça de corações quentes e palpitantes

Muito antes de eu nascer o meu pai conheceu-te.
Feitas as apresentações pedidas pela formalidade, trocadas as primeiras impressões e os BIs ele ficou finalmente a conhecer-te. Nunca te tinha visto até então. Eras muito subtil e discreto, surgindo na penumbra da noite sempre envolto no teu longo manto preto que nem camaleão camuflado dos predadores. Nunca pensei que o papel fosse invertido.
Senhor de sabedoria, barbas brancas e compridas e de chapéu de coco na cabeça, desapareceste sem qualquer explicação. Mas o que mais o assustou não foi o desaparecimento fugaz, mas o mistério que rodeava o súbito e inesperado aparecimento. Afinal, quem és tu? Mais tarde veio a descobrir.
Eu conheci-te no Verão de 2008. Tropecei em ti na rua e os nossos olhares cruzaram-se por segundos. Os teus olhos nada revelavam, como se nem alma tivesses. As tuas mãos frias e brancas congelaram-me o coração. Não te quis perto de mim, preferi esquecer-te.
Mas tu não me esqueceste e regressaste uma e outra vez, num espaço de tempo tão pequeno, que ainda nem consegui respirar de alívio. Não sei como lidar contigo, nem com os danos que causas. Se pudesse chamar-te um nome, seria furacão.
Afaste-te furacão. Só causas dor.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

gigante Anão

Gigante adormecido
Despertas do teu sono irregular
envolto em teias entrelaçadas em teias.
As aranhas operárias, essas, já fugiram
Restas tu, sufocado no próprio corpo, em busca de lufadas de ar fresco.
Estás preso, de olhos vendados e ouvidos à espreita
perdido no negro escuro, numa ansiedade que leva à insanidade.
Paralisado que nem um cadáver
só o bater do coração te denuncia...

toc toc
Nunca o não saber te assustou tanto

toc toc
Nunca a impotência te levou à loucura

toc toc
Nunca viver foi tão dificil

Porque despertaste?
Segundos intermináveis transformam-se em horas
Crês agora na eternidade.
Multiplicas as possibilidades, pesas na balança
mas a solução é só uma.
Ironia Gigante como te tornaste tão pequeno...
a altura não se mede em metros, pensas tu.
Coragem Gigante
volta a adormecer
Esquece que foste gigante que se tornou anão
Recusa as memórias, abomina as seguranças
Adormece gigante, ao de leve ao de leve
porque quando acordares
vais ser uma aranhinha operária.
toc toc toc toc...

To shut down press enter


sábado, 7 de fevereiro de 2009

Guerreiro Lunar Amarelo

Polarizo com o fim de questionar
Estabilizando a intrepidez
Selo a saída da inteligência
Com o tom lunar do desafio
Eu sou guiado pelo poder da elegância


'Pergunto-me o que eu verdadeiramente quero neste momento e crio harmonia em meus pensamentos.'



http://www.pan-portugal.com/

Calcula o teu Kin ;)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

qualquer coisa

Novamente, sinto o impulso emergir por uns segundos, deixando a mente vaguear preguiçosamente pelas memórias ofuscadas pelo presente. Deixam um gostinho, um rasto demorado e torturante do que se segue.
Desnorteada e sedenta de um desejo intenso, procuro o que não sabia procurar. Procuro tudo... que é como quem diz nada.
Sou atraída para esta espiral de emoções e sentimentos, que me abanam e atiram bruscamente dum lado para o outro, e envolvem-me o corpo e a mente como a droga viciante que é. Estou entregue a este vaticínio, premeditado apenas por mim. Compreendo e aceito, não tento mudar, sou éfemera a cada momento e não sei ser outra coisa se não isso. Quero ser efémera e uma metamorfose ambulante, quero não me definir, ser livre para ser aquilo que quero ser no momento e somente nesse momento. Bloqueei os sentimentos grandes dos seres humanos. Apenas vivo em função de como quero viver. Não tenho um propósito de vida, não tenho uma meta a alcançar, não me aguarda uma medalha de triunfo no final da caminhada. A piada reside na simples caminhada em si, na deriva que se encontra fugazmente com o concreto e leva-me a viver uma e outra, e outra vez. Sou feita de oportunidades que aproveito no momento que surgem, sou feita da areia da praia que se molda ás estrelas e conchas de plástico.
Não posso comprometer-me com outro ser humano, não compactuo com as expectativas que depositam em mim. Sou uma utopia aos olhos dos outros.
Mas sei que não sou nada. Apenas eu, viajante do mundo e da mente, à procura de tudo, mas de nada.