quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

destruição maciça de corações quentes e palpitantes

Muito antes de eu nascer o meu pai conheceu-te.
Feitas as apresentações pedidas pela formalidade, trocadas as primeiras impressões e os BIs ele ficou finalmente a conhecer-te. Nunca te tinha visto até então. Eras muito subtil e discreto, surgindo na penumbra da noite sempre envolto no teu longo manto preto que nem camaleão camuflado dos predadores. Nunca pensei que o papel fosse invertido.
Senhor de sabedoria, barbas brancas e compridas e de chapéu de coco na cabeça, desapareceste sem qualquer explicação. Mas o que mais o assustou não foi o desaparecimento fugaz, mas o mistério que rodeava o súbito e inesperado aparecimento. Afinal, quem és tu? Mais tarde veio a descobrir.
Eu conheci-te no Verão de 2008. Tropecei em ti na rua e os nossos olhares cruzaram-se por segundos. Os teus olhos nada revelavam, como se nem alma tivesses. As tuas mãos frias e brancas congelaram-me o coração. Não te quis perto de mim, preferi esquecer-te.
Mas tu não me esqueceste e regressaste uma e outra vez, num espaço de tempo tão pequeno, que ainda nem consegui respirar de alívio. Não sei como lidar contigo, nem com os danos que causas. Se pudesse chamar-te um nome, seria furacão.
Afaste-te furacão. Só causas dor.

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