Tic tac tic tac tic tac
atraso uma hora no relógio
ganhei uma hora de vida.
o que fazer deste pedaço de tempo?
gostava de poder guardá-lo numa caixinha
e usá-lo como tempo extra.
prolongar uma hora de deleite
bastava esticar o plano temporal.
Não faria mal a ninguém.
As minhas duas horas seriam somente 60 minutos para os restantes mortais
é tudo uma questão de percepção.
retrocedi uma hora no tempo
revivo cada minuto outra vez?
ou reinvento?
uma hora
dotada do encanto da espontaneidade
tropeçou em alguns segundos
percalços dum viajante do tempo.
tenho agora um mapa do espaço temporal.
sei como o percorrer
quais as direcções tomar
e quais as que tenho a evitar.
retrocedi uma hora no tempo
revivo cada minuto outra vez?
ou reinvento?
as consequências foram desastrosas
os segundos foram eternos
e eu... perdi-me nos ponteiros a girar
o relógio está a girar...
cada vez mais perto da hora acabar
cada vez mais longe de eu me decidir
uma hora
arrependimento:
Sim? reinvento
Não? revivo
a curto prazo... totalmente nulo.
a longo prazo... só o tempo o dirá.
uma hora
o ponteiro gira
segundo
a segundo
a segundo.
o meu relógio está atrasado uma hora.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
don't see me, just look at me
Fecha os olhos - pediu-lhe, susurrando-lhe ao ouvido.
De sorriso tímido na boca, procurou-lhe o olhar e fechou as pálpebras ao de leve.
Hesitante, trincou o lábio e aguardou.
Sentia-a-lhe a presença, como se os seus corpos estivessem em contacto, adivinhava-lhe as expressões, como se o estivesse a ver. O simples saber que ali estava provocava-lhe arrepios na espinha. Mas não cedeu, aguardando nos segundos de expectativa.
No silêncio escutou o acelerar do coração. A sua respiração fortaleceu-se, quebrando o silêncio imposto por ambos.
O seu corpo começou a sucumbir à torrente de sensações ilusórias.
Num arrepio sentiu o toque meigo dos seus dedos no pescoço. Percorrendo-a, estudou-lhe a cara, pousando com cuidado os dedos nos lábios. Aí demorou-se, contornando-os e deliciando-se com o simples prazer do toque.
Aproximando-se dela, inspirou e expirou no seu ouvido, dando-lhe pequenos beijos. Sentiu-lhe o prazer intenso e em deleite absoluto, os seus lábios não conseguiram resistir mais, fugindo para a sua boca sedenta de prazer.
Abriram os olhos e encontraram-se no olhar.
Um único olhar.
Gosto de olhares.
De sorriso tímido na boca, procurou-lhe o olhar e fechou as pálpebras ao de leve.
Hesitante, trincou o lábio e aguardou.
Sentia-a-lhe a presença, como se os seus corpos estivessem em contacto, adivinhava-lhe as expressões, como se o estivesse a ver. O simples saber que ali estava provocava-lhe arrepios na espinha. Mas não cedeu, aguardando nos segundos de expectativa.
No silêncio escutou o acelerar do coração. A sua respiração fortaleceu-se, quebrando o silêncio imposto por ambos.
O seu corpo começou a sucumbir à torrente de sensações ilusórias.
Num arrepio sentiu o toque meigo dos seus dedos no pescoço. Percorrendo-a, estudou-lhe a cara, pousando com cuidado os dedos nos lábios. Aí demorou-se, contornando-os e deliciando-se com o simples prazer do toque.
Aproximando-se dela, inspirou e expirou no seu ouvido, dando-lhe pequenos beijos. Sentiu-lhe o prazer intenso e em deleite absoluto, os seus lábios não conseguiram resistir mais, fugindo para a sua boca sedenta de prazer.
Abriram os olhos e encontraram-se no olhar.
Um único olhar.
Gosto de olhares.
sábado, 9 de maio de 2009
a estreia
o nervoso miudinho à muito que se instalara no seu corpo.
Todos os milímetros da sua pele transpiravam
enquanto o seu coração batia descompassadamente.
Sentia o fluxo de adrenalina percorrer-lhe as veias
insuflando cada orgão de vida, despertando cada sentido
Não havia como fugir à regra.
Levantou a mão na horizontal até à sua linha de visão. Não tremia.
Pousou-a no peito e sentiu as batidas regulares do coração.
Inspirou e expirou, uma e outra vez, sem qualquer dificuldade.
Esperava estar nervosa. Estranhou a sua quietude.
Sentou-se nas escadas aguardando
olhou em volta e sentiu olhos e palavras de consolação.
"Não estejas nervosa" diziam-lhe.
e não estava e só lhes queria gritar isso.
Mas não conseguia. Estava totalmente anestesiada.
Está na hora.
Levantou-se e entrou em palco.
As luzes ofuscavam-lhe a visão
no entanto percorreu o balcão superior com os olhos
descodificando caras e expressões.
Olhou para o balcão inferior e ali encontrou os olhos dos progenitores
Expectantes, será que esperavam a surpresa ou a desilusão?
Lembrou-se do que lhe disseram "são mais de 900 pessoas"
Riu-se para si! Olhou em volta.
O pianista sorriu-lhe e olhou-a num jeito de cumplicidade
"vai correr tudo bem" pensou
pegou no microfone e que poder lhe transmitia aquele objecto!
Começaram-se a ouvir as primeiras notas do piano
Sorrindo, julgo que desde que entrou em palco, levou o microfone aos lábios
"you know that it would be untrue.. you know that i would be a liar.."
e cantou. e dançou. e enganou-se na letra. e improvisou. e quanto mais improvisava mais prazer tinha em cantar. Transformou-se em palco como flor que desabrocha.
quanto mais "brincava" com a voz mais aplausos ouvia
mas será que não percebiam a magnitude daquele momento?
foi a libertação máxima dos seus receios e medos, dos complexos enraizados no seu ser.
foi a conquista pessoal, o ser capaz, o arriscar, o não ter medo, o provar aos outros,
foi a perfeição obtida pela imperfeição, a espontaneidade musical, o brilhar.
foi exactamente aquilo que ela queria que fosse mas que nunca imaginou que poderia ser.
Não tinha como conter tantas emoções. Sentiu o corpo frágil e pequeno demais, precisava de extravasar ou explodiria de tamanha felicidade.
Pós-estreia todo o seu corpo adoptou a postura pré-estreia.
novamente, como se anestesiada, nem falar conseguia, ou queria sequer!
limitava-se a olhar em volta, sorrindo e usufruindo do prazer que sentia.
Hoje olhei para o céu e reparei numa estrela em particular.
Todos os milímetros da sua pele transpiravam
enquanto o seu coração batia descompassadamente.
Sentia o fluxo de adrenalina percorrer-lhe as veias
insuflando cada orgão de vida, despertando cada sentido
Não havia como fugir à regra.
Levantou a mão na horizontal até à sua linha de visão. Não tremia.
Pousou-a no peito e sentiu as batidas regulares do coração.
Inspirou e expirou, uma e outra vez, sem qualquer dificuldade.
Esperava estar nervosa. Estranhou a sua quietude.
Sentou-se nas escadas aguardando
olhou em volta e sentiu olhos e palavras de consolação.
"Não estejas nervosa" diziam-lhe.
e não estava e só lhes queria gritar isso.
Mas não conseguia. Estava totalmente anestesiada.
Está na hora.
Levantou-se e entrou em palco.
As luzes ofuscavam-lhe a visão
no entanto percorreu o balcão superior com os olhos
descodificando caras e expressões.
Olhou para o balcão inferior e ali encontrou os olhos dos progenitores
Expectantes, será que esperavam a surpresa ou a desilusão?
Lembrou-se do que lhe disseram "são mais de 900 pessoas"
Riu-se para si! Olhou em volta.
O pianista sorriu-lhe e olhou-a num jeito de cumplicidade
"vai correr tudo bem" pensou
pegou no microfone e que poder lhe transmitia aquele objecto!
Começaram-se a ouvir as primeiras notas do piano
Sorrindo, julgo que desde que entrou em palco, levou o microfone aos lábios
"you know that it would be untrue.. you know that i would be a liar.."
e cantou. e dançou. e enganou-se na letra. e improvisou. e quanto mais improvisava mais prazer tinha em cantar. Transformou-se em palco como flor que desabrocha.
quanto mais "brincava" com a voz mais aplausos ouvia
mas será que não percebiam a magnitude daquele momento?
foi a libertação máxima dos seus receios e medos, dos complexos enraizados no seu ser.
foi a conquista pessoal, o ser capaz, o arriscar, o não ter medo, o provar aos outros,
foi a perfeição obtida pela imperfeição, a espontaneidade musical, o brilhar.
foi exactamente aquilo que ela queria que fosse mas que nunca imaginou que poderia ser.
Não tinha como conter tantas emoções. Sentiu o corpo frágil e pequeno demais, precisava de extravasar ou explodiria de tamanha felicidade.
Pós-estreia todo o seu corpo adoptou a postura pré-estreia.
novamente, como se anestesiada, nem falar conseguia, ou queria sequer!
limitava-se a olhar em volta, sorrindo e usufruindo do prazer que sentia.
Hoje olhei para o céu e reparei numa estrela em particular.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
the fictional pleasure
o gostinho chega aos poucos e poucos
hesitante e trémulo, passeia-se como se soubesse para onde ir
especula o seu destino
molda o seu coração
semeia expectativas
cria ilusões?
o gostinho que envolve e arrepia
que fecha as pálpebras ao de leve ao de leve
e desenha um sorriso tímido nos lábios
-inho -inho -inho
o prazer da antecipação
hesitante e trémulo, passeia-se como se soubesse para onde ir
especula o seu destino
molda o seu coração
semeia expectativas
cria ilusões?
o gostinho que envolve e arrepia
que fecha as pálpebras ao de leve ao de leve
e desenha um sorriso tímido nos lábios
-inho -inho -inho
o prazer da antecipação
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