sábado, 6 de junho de 2009

tela branca

Era uma tela
pintada de azul, rosa e amarelo
Tinha riscos e bolas, dedadas ocasionais e manchas esbatidas.
Era uma tela pintada
que por mais que o meu olhar se demorasse nela
que a percorresse com o dedo indicador
faltava-lhe sempre algo.
Pelo canto do olho vi um balde de tinta branca.
Num acto único e impensável atirei a tinta contra a tela
e aguardei.
As cores contrariadas começaram a desvanescer-se formando colunas verticais que vertiam sob a forma de pingas para o chão.
A tela chorava. Já não era tela, não mais.
Era uma simples e vulgar tela branca
tal e qual como no início.
Sorri.

A tela branca reflectia o negro dos meus olhos. Imagens indefinidas começaram a materializar-se
fundindo-se nos meus sonhos vastos e infantis.
A tela ganhou vida.
Mas a tela ainda era branca.

Tenho saudades de me poder reinventar a cada segundo
usufruir do inesperado que rouba emoções.
Quero ser tela branca.

1 comentário:

_Sentido!... disse...

Tu és tela branca, feiticeira, a tua inocencia continua lá, aquela, a verdadeira, a da alma!

Obrigada pelo carinho

Beijo! Dia feliz