um longo e profundo suspiro
...
alívio fictício da dor que me consome.
chama incandescente
que me queima os lábios feridos
mas nem os olhos choram.
um grito em vão aclamado aos céus.
será que ninguém vê?
a garra dilacerou-me em pedaços
um reflexo distorcido
maquiavelicamente planeado.
os dedos entorpecidos
tocam-se.. preciso de saber que estou viva.
o simples respirar subitamente deixou de fazer sentido, a simplicidade da minha condição biológica repugna-me, tudo me repugna!
estenderam-me um guião
e eu na minha inocência preservada
desempenhei o papel
Não quero! Não!
nunca pedi para fazer parte deste teatro gigante
não compactuo com a falsidade das acções
a espontaneidade perdeu-se nas linhas que não dizem nada. absolutamente nada.
palavras. ordens. sem sentido. nada faz sentido.
tudo gira em torno disto
espirais que se fundem num plano maior
revolução geométrica
que leva à insanidade.
a consciência rema em direcção ao caos.
não há como fugir à ordem natural das coisas.
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2 comentários:
É completamente isso. A arquitectura das tuas palavras é a minha.
nao se perdeu a magia. nao tens cara. nem nome. és uma presença longe e perto. és uma criadora.
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