O profundo –undo –undo eco
Susurra propositadamente
Alma seca de marfim sugas-me o olhar
Vida estática que rema
O auge nunca irás alcançar
Duvida persistente insiste no olhar
Garantes o meu sorriso?
Desejo-te e temo-te
Quem és tu para me governar?
O profundo –undo –undo eco
Susurra propositadamente
Alma seca de marfim sugas-me o olhar
Vida estática que rema
O auge nunca irás alcançar
Duvida persistente insiste no olhar
Garantes o meu sorriso?
Desejo-te e temo-te
Quem és tu para me governar?
Uma mão cheia que dá para pensar
É o querer falar sobre isso a toda hora
uma emoção desmedida saber que é real
os ouvidos estão sedentos
incrédulos idolatram a repetição
a boca, procura-lhe os lábios
vicia-se no contorno e no sabor único.
nem quando tinha estatuto de ilusão
lhe tinha dado tanto prazer
a imaginação ficou aquém da realidade
perdeu na sintonia vivida segundo a segundo.
mas a irracionalidade ganhou consciência
cedo, apercebeu-se que a rosa tem espinhos
e magoam, como um seta certeira no coração.
a cedência tornou-se numa hábito
em prol dum bem maior, pensou.
aii a inocência dos amantes principiantes
os olhos brilhantes reflectem o sorriso rasgado
tanta paixão para um corpo conter
vocabulário diminuto, as palavras perderam o seu valor
inventa-se um novo dicionário! Sim agora já faz sentido
cada palavra murmurada ao ouvido, um batimento que acelera a pulsação.
a ilusão fere mais que a verdade.
Simplesmente escrever
deixar os dedos deslizar... tecla a tecla, como que mecanizado
o que estão mesmo a escrever?
Não sei nem quero saber
simplesmente escrever.
Sinto-me anestesiada
imune às dores e aos amores
deixei de sentir?
A habituação faz destas coisas
mas a surpresa também
cara e coroa são sempre uma moeda.
Escrever sem parar
não ler, não rimar
não parar -ar -ar -ar
Uma pausa de contemplação
melodia cristalina
deixa um rasto de saudade
arrasta-me nas memórias
esbatidas pelo tempo
caras que conheci
reflexo que senti
eu
fui
não sou mais
só eu.
Simplesmente escrever
Simplesmente