sexta-feira, 17 de julho de 2009

something

O profundo –undo –undo eco

Susurra propositadamente

Alma seca de marfim sugas-me o olhar

Vida estática que rema

O auge nunca irás alcançar

Duvida persistente insiste no olhar

Garantes o meu sorriso?

Desejo-te e temo-te

Quem és tu para me governar?

domingo, 12 de julho de 2009

chaos

Uma mão cheia que dá para pensar
Lentamente vejo-a ceder
o peso é simplesmente estonteante
Mas mantém-se firme, não é tempo para fraquejar
A inevitabilidade da ampulheta
Regra de ouro: a gravidade só não faz sentido na lua.
Quase a sucumbir, reajo
Duas mãos cheias que dão para pensar.
Como escolher entre o presente e o futuro?
Opções tolas que me retiram do abismo.
Tivesse eu realmente oportunidade de escolha
escolhia o futuro no presente.
o concreto leva sempre a sua avante, contornos dão sempre para pensar.
Já anseio pela desistência inevitável
Que sucumbam ambas as mãos
Que sejam mãos cheias de nada
de nada para pensar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

É o querer falar sobre isso a toda hora

uma emoção desmedida saber que é real

os ouvidos estão sedentos

incrédulos idolatram a repetição

a boca, procura-lhe os lábios

vicia-se no contorno e no sabor único.

nem quando tinha estatuto de ilusão

lhe tinha dado tanto prazer

a imaginação ficou aquém da realidade

perdeu na sintonia vivida segundo a segundo.

mas a irracionalidade ganhou consciência

cedo, apercebeu-se que a rosa tem espinhos

e magoam, como um seta certeira no coração.

a cedência tornou-se numa hábito

em prol dum bem maior, pensou.

aii a inocência dos amantes principiantes

os olhos brilhantes reflectem o sorriso rasgado

tanta paixão para um corpo conter

vocabulário diminuto, as palavras perderam o seu valor

inventa-se um novo dicionário! Sim agora já faz sentido

cada palavra murmurada ao ouvido, um batimento que acelera a pulsação.


a ilusão fere mais que a verdade.



sexta-feira, 3 de julho de 2009

simplesmente

Simplesmente escrever

deixar os dedos deslizar... tecla a tecla, como que mecanizado

o que estão mesmo a escrever?

Não sei nem quero saber

simplesmente escrever.


Sinto-me anestesiada

imune às dores e aos amores

deixei de sentir?


A habituação faz destas coisas

mas a surpresa também

cara e coroa são sempre uma moeda.


Escrever sem parar

não ler, não rimar

não parar -ar -ar -ar


Uma pausa de contemplação

melodia cristalina

deixa um rasto de saudade

arrasta-me nas memórias

esbatidas pelo tempo

caras que conheci

reflexo que senti

eu

fui

não sou mais

só eu.


Simplesmente escrever

Simplesmente

quinta-feira, 2 de julho de 2009

aconteceu.

adormeço ao de leve, entregue a um sono livre de pensamentos
numa quietude perturbante.
a despreocupação transparece no meu olhar,
outrora sonhador, e revela-se no sorriso tímido que desponta.
aleatoriamente, tudo aconteceu, e surgiu uma cadeia de acontecimentos
cujo fim não se avizinha.
que nem seara de trigo que dança ao sabor do vento
inocentemente, ondulei ao sabor da vida
numa tentativa de resgatar emoções na sua forma mais pura.
a surpresa incentivava a impulsividade
a impulsividade o arriscar.
arrisquei. vivo continuamente na expectativa.
mas não sonho, o depois não tem qualquer interesse.
é o agora, o sentir agora, o viver agora, ser eu agora.

alcancei a essência natural da vida.