quinta-feira, 10 de junho de 2010

one cigarette

Chovia miudinho.

Gotas fugitivas sorriam-me enquanto me tocavam ao de leve na pele

Cócegas na mente, soltei uma gargalhada revigorante.

Sorri e caminhei pelos passeios gastos da invicta.

Chovia miudinho mas a cidade não chorava.

Eram lágrimas puras, somente e nada mais que isso.

Respirei fundo e soube-me a lar.

Memórias que se desvanescem

Gotas que apagam

o que não foi.

segunda-feira, 8 de março de 2010

...

Diz-se o que não se sente

Sente-se o que se diz

Duplicidade do falar

Apenas uma forma de sentir.

terça-feira, 2 de março de 2010

D

Uma gota de conversa cai sobre a folha de papiro

A tinta suga o papel

palavras que se reinventam continuamente.

O testamento duma viúva precoce.

Porquê a impotência?

Tens o trunfo da liberdade dum casamento não consumado.

Mas que interessa ter se já não sou?

Durmo horas de sono acordada

E anseio que o tempo não passe.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Martelam-me os ouvidos.
Luzes fortes, sozinha em palco
A expectativa do público é esmagadora.
A sala está vazia.
O silêncio incomoda
Não diz nada, não me diz nada
“Leio-te o futuro por 20 euros”
correria desenfreada no tempo parado
cd riscado, memória viciada, gelo que não derrete
sou a mesma no espelho, reflexo deturpado.

one month

num sufoco permanente
como ferida que não sara
o tempo caminha lentamente
enfatizando os segundos
segundos de algo que nem sei bem
não é dor nem amor
é excruciante, intenso e não pára...
num sopro frio livra-te dele
queima-o no teu coração em chamas
esmaga-o
pisa-o
anula-o


como tornar algo real em irreal?
cruzar os domínios da inexistência
e pairar no vácuo
assim como pena flutuante
leve leve
tão leve
que se desvanesce
ao mais simples toque.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

deja vu

Colapsos mentais

Reavivo as memórias

Sugo qualquer sentimento de compaixão

de paixão, qualquer sentimento que me faça sentir

sentir o que não devia sentir. não sentir.

Recordações tão lonquínquas

Mas são as recentes que se perdem lá no fundo

ecos, murmúrios, vozes vozinhas, caladas pelo silêncio

Mas que se passa..?

Meses enevoados surgem claros na minha cabeça

Ai cidade que me atordoa

Foge enquanto é tempo!

sábado, 16 de janeiro de 2010

A luta mais dificil é a que não se quer travar.

Num acto de desespero choram-se lágrimas de traição

Gritam-se palavras rancorosas capazes até

De arrancar o mais profundo sentimento

Marca-me. Cicatrizes que me denunciam

E não me deixam esquecer.

Sou amante da dor,

tortura de ler

páginas que se repetem,

sem início nem fim.


E o coração.. esse continua a bater.