domingo, 21 de fevereiro de 2010

Martelam-me os ouvidos.
Luzes fortes, sozinha em palco
A expectativa do público é esmagadora.
A sala está vazia.
O silêncio incomoda
Não diz nada, não me diz nada
“Leio-te o futuro por 20 euros”
correria desenfreada no tempo parado
cd riscado, memória viciada, gelo que não derrete
sou a mesma no espelho, reflexo deturpado.

one month

num sufoco permanente
como ferida que não sara
o tempo caminha lentamente
enfatizando os segundos
segundos de algo que nem sei bem
não é dor nem amor
é excruciante, intenso e não pára...
num sopro frio livra-te dele
queima-o no teu coração em chamas
esmaga-o
pisa-o
anula-o


como tornar algo real em irreal?
cruzar os domínios da inexistência
e pairar no vácuo
assim como pena flutuante
leve leve
tão leve
que se desvanesce
ao mais simples toque.